A Mídia de uma vída Multitarefa


(…) ainda dentro do carro dou uma checada no celular em todos os emails que recebi a caminho de casa, não muitos, mas alguns importantes. Dou uma breve revista neles, e abro meu aplicativo de compartilhamento de fotos, verifico se ele salvou as que eu tirei no caminho, e infelizmente, nenhuma saiu tão boa, perdi justo aquela que tinha o flanelinha limpando meu vidro, saco. Mas tudo bem, faz parte da brincadeira o acaso das fotos!

Ao chegar em casa, troco de roupa, banho e ligo o computador. Vou rever os emails e responder aqueles mais importantes. Feito, checo novamente no aplicativo de fotos como andam os “likes” daquela foto que eu subi há pouco; vai bem! Entro no facebook e respondo uns comentários de amigos que me mandaram no ínterim da volta à casa.
Passo umas horas na net, é uma e meia da manhã, vou deitar; desligo tudo, deito, e leio a revista que eu baixei no celular.

No outro dia pela manhã, assisto alguns minutos de TV e dou uma checada no tempo no meu aplicativo Weatherforecast, e como estará tudo limpo, mando um email para a namorada dizendo que sairemos à noite!.
No trânsito, dou uma olhada no mapa onde estão as linhas vermelhas de congestionamento, e mudo umas duas ruas… Já ajuda.

Cheguei no trabalho, o celular à mão, vendo notícias da minha área, e postando várias delas no app  do Facebook e twitter, o dia passa, e saio com minha namorada. Existe um aplicativo da cafeteria que escolhe a bebida para você chacoalhando o celular. Eu chacoalho umas 4 vezes até cair na bebida que eu gosto, é sempre assim.

A noite é agradável, voltamos pra casa, restaram algumas fotos que eu passo para o celular dela em um aplicativo que transfere batendo um celular ao lado do outro. E pronto.

Começa o sábado, 11h, ligo o aparelho e….



Esta história é verídica (onde não houve mentiras), e resume a vida de muita gente, e me incluo obviamente.

O que é, e de onde vem a informação que não depende da forma cronológica de narração televisiva ou impressa? A base de conhecimento geral atual é permeada pelas mais diversas mídias isso todos têm falado, mas o mais importante é o fato de não serem completamente passadas por uma mídia apenas, mas justamente pelo fato de ser por várias delas, o que contrapõe visões e meios de entendimento.

Numa conversa com Tito Teijido, Diretor de cinema e propaganda, ele me esclareceu um fato muito interessante. Em uma reunião que houve há pouco tempo, entre criativos de várias áreas e países, o fórum andava completamente flúido e natural, com publicitários ávidos e gesticulosos, explicando milhares de formas de resolver a comunicação de modo que passava pela cabeça do Tito,  (nascido na Argentina mais agora brasileiro [e com sotaque, claro] ) um complexo de inferioridade por ser brasileiro e não estar tão acostumado com as mudanças da comunicação e adaptações de mídias novas.
Até que em um momento, a pauta se transformou em “transmídia”, “multiplataforma”, e todos desapareceram da sala. Nem o pessoal da Discovery Channel que lá estava, ficou.


 Ninguém se arriscou esbravejar sobre isto. E Tito Teijido teve a certeza de que o mundo inteiro ainda está experimentando essa “pluriplataformidade comunicativa.” Não estamos, nós brasileiros, para trás de forma alguma!

Lindo, mas como funciona o multiplataforma na vida prática? Ué, todos sabemos muito bem disso!

Um exemplo básico, que ocorre direto, é melhor explicado pelo campo do jornalismo:

 Uma matéria aparece sobre um Tsunami que devastou as áreas costeiras do Japão. A TV trás o alarde em forma de nota, e é possível ver na escalada do jornal matinal uma idéia geral do acontecido. No trabalho, procuramos na internet, e lá está a dita matéria. Entramos, lemos, e damos nosso comentário sobre ela já que esta mídia já é um canal comunicativo de ida e volta.
 E pior, lemos TODOS os comentários postados sobre isso e (invariavelmente) nos indignamos com o que foi dito.

Depois, no aplicativo de notícias do celular, há outra forma de abordagem, mais rápida, mas com conteúdo inédito sobre o que foi descoberto à pouco sobre o incidente. É rápido e eficaz!

À noite, é comum ver telejornais que vão passar um review abrangente sobre o ocorrido, e geralmente alguma forma de narrar a matéria como se fosse uma nota assinada. Os jornalistas andam muito autorais ultimamente! Alguns até poéticos!

Noutro dia, no jornal impresso, encontramos os dizeres calmos e reflexivos do acontecido, mas as fotos deixam à desejar! Buscamos no aplicativo do celular e….


Nesta história como na vida de muitas pessoas, a forma de conhecimento sobre um fato vagueia não só ENTRE a união de várias midias, mas COMPOSTA PELA união das várias mídias que se sucedem.

O que eu poderia dizer na tentativa de um resumo significativo, várias Layers (camadas) de informação.

Imaginemos a comunicação de um fato em linhas horizontais, onde cada linha representa uma mídia, e a expessura das linhas corresponde ao entendimento sobre o assunto. Há mídias que são mais interativas, e outras menos.
À medida que partem do ponto inicial, as linhas começam a se cruzar que representam o momento em que o receptor cruza a informação de uma mídia anterior à outra, e vagueia assim pelo assunto. Temos sempre uma mídia de entrada, e depois uma compleça sucessão de trocas ilógicas de mídias em busca de informação.

Não há uma porta de entrada determinada para esta comunicação. Não mais porque lógicamente temos muitas formas de comunicar agora. E não há ordem correta nem tampouco lógica entre a ligação das mídias sobre um assunto ou a forma como passamos de uma para a outra. São fenômenos regrados por necessidades nossas, ou por limitações dos momentos de nossa vida social.

Hoje você entra por uma porta, amanhã continua entrando por outra, depois não entra em nenhuma, ou encontra outra porta lá no fim, e vê um resumo enfim.

O caso aqui é Comunicação Publicitária, então, voltando ao tópico, este exemplo jornalístico exprime muito bem o EXATO CASO em que a publicidade se apóia atualmente. Ou deveria.

Publicidade não tem mais sido “chamar atenção para comunicar” (à lá sistema AIDA; Atenção, Interesse, Desejo e Ação.)
Proponho que o sistema tenha mudado bastante para um método de CONVENIÊNCIA. Não se indica onde o espectador deve olhar, mas deve-se estar em todos os lugares que ele olha normalmente.
Sistemas de análise tipo Target Tracking (estudo do público) funcionam razoavelmente no que se refere à uma comunicação específica. Mas só há um meio de passar uma mensagem que esteja emaranhada intimamente com a vida de uma pessoa atual;

Se adequando à todas as mídias, e quantas mais, melhor.

Alguns podem dizer que a redundância é perigosa, mas não se trata de repetir, mas de se adaptar.

Que seja então a proposta de uma campanha que tenha uma peça adapatada para cada mídia e algumas outras formas diferentes de comunicar surjidas do acaso. Mas ter profundidade, Layers, não significa que funcionará, caso não haja um Fim, um escopo, um “período narrativo”.

Quando se propõe uma forma de interação com alguma pessoa, seja para simples Hard Sell, ou para campanhas de manutenção de marca, que necessitam de bastante apreço e cuidado ao se tratar de conhecimento subjetivo da marca, propõe-se automaticamente a necessidade de uma linha narrativa, uma linha horizontal, onde quem recebe tenha o que, ou ao quê se fixar como guia.

Aplicativo Petrobrás, Posto Finder

Todos já somos multiplataforma, num mundo que ainda não é tão bem assim.


Pense numa marca! Agora! vai! Do nada! Coca-cola, isso mesmo!
Uma das maiores empresas de ramo alimentício do mundo, com grandes investimentos em comunicação e até agora, NENHUMA SOLUÇÃO PRÁTICA de comunicação transmídia.

Suas campanhas se limitam à casadinha TV & Impresso. Uma web que apenas é ilustrada como a TV mas não tem fundo prático, aplicabilidade, não tem continuidade.

E em Mobile, o que esta empresa tem feito? Uma dúzia de aplicativos que não são significativos para uma experiência profunda de uma pessoa sobre o tema Coca-Cola.
 Fizeram um SnowGlobe que, é, bem, é só isso mesmo. Olhe aqui.
 Fizeram um Copo virtual tipo joguinho de física. Olhe aqui.

E uma luz no fim do túnel, que é o Coca-Cola Happines Factory, um joguinho com os personagens de uma campanha. Que finalmente, oferece alguma continuação que seja interessante e aceitável ao espectador. Está aqui

Pensando na matéria do Tsunami, fica claro como o jornalismo está muito mais plural do que a GoodOld Propaganda e seus cartazes. E o que vemos por aí em mídias digitais, não são mais do que cartazes animados, ou cartazes com link.
Nada adaptado às milhares de possibilidades que uma mídia oferece.

E não é difícil imaginar, agora, do nada, vou pensar em uma campanha integrada para a Avon.

Um comercial de TV que tem um QR code no canto, a pessoa fotografa, manda para um site Mobile com infos do produto (onde achar, como comprar, etc) Neste site, um link pro aplicativo onde existe uma função de tirar fotos, que vai te alertar a cada semana para tirar uma foto do seu rosto. E depois do tratamento do creme, comparar num Timelapse que o aplicativo cria, a evolução dos resultados.

Voilá.


Bons exemplos seguem.
Volkswagem tem se aventurado neste mercado obscuro criando um aplicativo para cada lançamento de carro top deles, como do Touareg (veja aqui) ou do Sirocco (tá aqui)

E foram além, fizeram o Volkswagen Dealer Search, que é uma ferramenta (comunidade) onde é possível anunciar veículos usados, encontrar outros, conversar com os donos, postar fotos, etc. (aqui também)

O Sirocco, tem até adaptação web que não deixa a peteca da campanha cair. http://www.sciroccocup.com.my/

Enfim,
Integração = Experiência. ;)

Cyber Justiça? Você ama o anarquismo.

Como reflexo da vida social, a vida em rede social tem que escolher alguns caminhos para conseguir se manter, e as autoridades capazes de alterar regras e formas sobre o uso da internet cometem exatamente os mesmos deslizes que as autoridades sociais reais.

Ao se escolher se uma sociedade será livre ou controlada em alguns aspectos,  é certo que terá de escolher entre manter controle sobre dogmas e crenças ou se não influirá nestes aspectos, e neste percurso as autoridades deixam sempre de lado algumas pessoas que não necessariamente são minoria.

Com mídias abertas como plataformas de exposição de pensamentos e expressões ensimesmadas, cheias do fardo da ignorância e parcialidade, começamos a pensar no senso de justiça que cedo ou tarde, terá que se adaptar de forma efetiva para os meios de comunicação e interação humana. Para castração, ou para liberação total. Este vai ser um processo natural tendo em vista as políticas atuais de convivência.

A internet vai mudar muito, é a única certeza. Mas será que o Anarquismo na Net está  definhando?

Trago aqui alguns poréns sobre este assunto, que já foi revisto por diversas áreas ao longo da história na busca de uma compreensão que possibilitasse propspectar uma forma de vida mais saudável na sociedade humana.
E é interessante notar um fator eternamente presente na discussão do assunto “justiça”; a bipolaridade da Moral.

Somos reflexos de conhecimentos adquiridos por sinestese e cognição, e vivemos numa vida de imitação, portanto numa vida completamente mimética. Assim o é também a noção de justiça e mais, de coexistência.

Como divdir os interesses evitando intrigas?

No nascimento da psicanálise início do sec.XX, nas mãos de Freud, Breuer entre outros, recomprovaram o que filósofos humanistas haviam proposto no séc. anterior, como Nietzeche e Shopenhauer por exemplo. O que em linhas gerais se definiria em dizer que “o ser humano é naturalmente egoísta”. Há na forma humana de entender o mundo, uma necessidade muito grande de sobrepôr seus interesses aos dos demais e às circunstâncias ao redor, de forma que priorize e melhore a sua vivência e em alguns casos, garanta ela.

É bastante complicado extraindo desta idéia, colocar que o mais justo é a sobreposição de um bem-moral-social único e uniforme que seja agradável a toda uma sociedade, porque simplesmente, jamais se chegaria a um modelo tão redondo, tão bem alinhado. Há sempre hipóteses que descartam alguns de um grupo.

Veja pelo exemplo de sistemas de governo. NeoLiberalismo é excessivamente capital para muitos e concentra a renda da União a poucos, Comunismo é excessivamente controlador e fecha a expressão popular sobre o comando sendo errado para os mais liberais e o Socialismo parece um conto de fadas que esconde lobos-maus aos lotes.

Qual o caminho tomado por muitos países (incluindo o Brasil)? O Socialismo neoliberal, ou Socialismo Aberto.
O problema é que é exatamente assim que ocorre com a noção de justiça. A necessidade de um Meio, de uma ponderação média, de uma falsa noção de equilíbrio.
E o equilíbrio nem sempre se faz no meio. Por exemplo, passamos por muitos planos de governo que excluíam o nordeste das metas da União, que é apenas a região com maior número de estados do país e uma das maiores parcelas da população.

Tem como escapar da aglutinação de intenções? Dos conceitos de Bom e Mau que devem ser aceitos por uma população? Temos como escapar da simples Bipolaridade de um julgamento?

Partindo deste pressuposto, é válido afirmar que o senso de justiça, pela mutabilidade de suas aplicações, não deve vir de fora para dentro em uma pessoa, mas de dentro para fora, se queremos que se aplique a idéia de correto à todos.

Naturalmente, numa eterna necessidade de poder em uma manutenção egocêntrica da vida, o ser humano trazer a sí a garantia de uma vitória social ou em qualquer outra esfera, articulando por todos os meios, é no mínimo sincero e nos trouxe a este ponto da evolução e das guerras.

Inclusive, a capacidade de extrair de uma situação, possibilidades variadas de resolução que incluem relações sociais dependentes de jogos morais, negociações, e outras formas de lido que chama-se de trapaça com outras pessoas é um sinal bastante positivo de inteligência prática, mas não de adaptação ao plano social de balança moral. Se isso existe.

Qual é o correto afinal? Abrir mão de um benefício para todos terem algo médio, ou deixar que cada um corra atrás de suas idéias livres, e que consigam por mérito próprio?

 Infindável discussão.

Observe um nenê; Ele quer leite, ou está com uma dor, ou em qualquer necessidade que ele tenha, ele chorará. Ele não se preocupa se a mãe está cansada, se são 3 da madrugada, se o pai está dormindo. Ele chama. É uma chantagem natural. Ele sabe o poder que exerce sobre a mãe e ganha esta disputa todas as vezes. A mãe deve ter raiva do filho por ter feito isso?

Demora bastante para se desenvolver uma inteligência social, porque esta decorre de uma evolução completamente paralela aos seus instintos e te significa “Dividir”. A concepção de divisão é antagônica à necessidade primal de auto-proteção.

Dividir nunca foi fácil ao ser humano, nem nunca será, porque temos dentro de nós um ID, um lado reptílico, um lado instintivo e dionisíaco de nos colocar à prioridade das circunstâncias. E muita gente (entenda MUITA GENTE MESMO) não tem um lado de inteligência social desenvolvido a ponto de abrir mão de interesses por um bem em grupo, seja esta inteligência boa ou má. Que seria como”Abrir mão de necessidades ou vontades do agora, por uma possível melhora futura razoável a todos.” Agora, pessoas consideradas egoístas estão erradas? Talvez não tanto, ao menos naturalmente. O egoísmo é profundamente admirado por várias correntes filosóficas que poderam sobre o fato de ser um dos instintos naturais mais importantes para a sobrevivência em situações de risco.

Prospecção de acontecimentos e plena compreenção da malha social não são ações fáceis entretanto.
E o Brasil, assim como muitos outros países até entre os desenvolvidos têm grandes problemas com isso. (EUA por exemplo e principalmente, recheado com uma sociedade de pensamento crítico ralo e pura mimética de foco capital).

Infelizmente a noção de justiça até agora desenvolvida não é olhar por todos, mas sim, não olhar por ninguém como garantia de igualdade, isso em alguns momentos te incomoda como humano. A justiça tem uma faixa nos olhos.

Agora, na proposta de justiça plena, que prevê liberdade de expressão, fica absolutamente complicado julgar até expressões pejorativas então. Já que ao dar direito de resposta à ofença, abre-se espaço a mais ofença, e temos o mesmo calibre do problema agora do lado inverso.

Mas a internet vem sobrevivendo de forma exemplar, por ser o único espaço público anarquista ainda existente nesta escala no mundo. E funciona muito bem, se levarmos em conta WikiLeaks, Wikipedia, 4shared e outros meios colaborativos de distribuição de interesses. E parece isso vai longe.

Até 2012, claro.

90% das pessas não irão ler este artigo inteiro.



Encontram-se fácil na boca do povo, afirmações otimistas sobre a era da informação, da comunicação e da internet, e não é difícil ver pessoas de mais avançada idade repetindo o jargão “Agora é tudo mais fácil”.

É um movimento comum ainda impulsionado pela grande excitação mundial das infinitas possibilidades abertas pela “Hyper Conectividade”, que troxe a muitas nações a possibilidade de trocar informações de forma excessivamente rápida e bla.
É um movimento que perdura já fazem 15 anos da real aplicação de um computador no cotidiano de um ser humano, e tudo indica que não para por aí. Isso vai muito mais longe.

São crenças sobretudo compostas e impulsionadas por pessoas, hoje em dia, já de certa idade (entre 30 e 50 anos), em sua grande maioria sendo estudiosos das ciências sociais e políticas, pertencentes - segundo eles próprios - a uma geração sem denominação técnica. Eles estão focados na geração Y, que veio depois deles, dos nascidos a partir de 1980, que tiveram um intenso contato com o processo de internacionalização cultural ocorrida no mundo inteiro, e da mais nova e ainda virgem - de estudos! - aclamada geração Z, aos nascidos nos anos 2000.
E embora começar pela última letra do alfabeto pareça promissor no sentido de determinar o fim das “gerações-Letra”, a moda pegou entre os sociolólogos de tal forma que o mapeamento das características de cada geração se estende do método tecnológico empregado na época aos costumes alimentares dos jovens, religão, e velocidade e prática de raciocíneo.

Os velhos por sua vez, não estão assim tão errados na réplica da Meme “Agora é tudo mais fácil”. Há bastante de verdade nisto, mas talvez não no ponto em que eles queriam chegar com esta frase. “Está tudo mais rápido”, pressupõe que não apenas os meios de comunicação e tecnologias que usamos estão rápidas, mas o mais importante, as pessoas também estão.

Agora é ínfimo, rápido e desvalorado.

O pensamento mais rápido traz consigo a lógica de que a atenção também ficou mais rápida e a mensagem, a consciência, esmero pelo entendimento, e o tempo também ficaram mais rápidos. E têm que ser, afinal, não fosse assim, estaremos deixados para trás dessa manada correndo desenfreada.
Comentar sobre a velocidade em que o tempo está passando sempre foi de costume do ser humano, e inclusive, é uma das coisas que mais incomoda por não termos até hoje perspectivas de poder criar uma forma de controlar o tempo. A única coisa que os humanos ainda não dominam, e não entendem.
Se tempo = Existência. E agora, José?

Mas a noção de aceleração do entendimento sobre o tempo das coisas que acontecem ao nosso redor é popular, e não demora muito você cruzará com uma pessoa mais velha comentando sobre isso, de igual modo ao que jovens já aprenderam a falar. Inclusive, tente pensar no que aconteceu no último ano de sua vida, e perceberá que este foi mais rápido que o anterior e assim por diante, até sua infância, onde um dia durava três.

A informação está correndo sem direção e vindo de todos os lados a ponto de já a termos no patamar de “O Mal do Século XXI” por vários motivos. A abertura de mídias a notícias em tempo real de qualquer parte do mundo, cria nas pessoas a sensação de participação de eventos ocorrentes em locais muito distantes, para bem ou para mal, introduzindo à sua realidade coisas que poderiam passar completamente desconhecidas por sua vida, e não a alterariam em nada, senão em uma melhor saúde mental.



São atualmente 231,5 milhões de sites no mundo, com uma prospecção de que quase 2 bilhões de pessoas em todo o mundo terão acesso à internet nesta década, fora outros milhões de páginas de conteúdos diversos, hospedados em um destes sites, como tumblr, blogger, etc, acrescido à toda baboseira desnecessitada que vemos na TV, já tendo 7.351.743 domicílios com TV por assinatura só no Brasil, aplicativos de celular, feed de notícias, Jornais impressos, revistas várias, panfletos, manuais de instruções, bulas, rádios, placas de trânsito, documentos infindáveis e aviões escrevendo com fumaça no céu.

Informação é prejudicial?

Você vai notar os efeitos colaterais dessa forma de vida rápida e superficial, quando chegar até esta parte do texto, e saber que só você e outros 10% de todos que chegaram a esta página, foram tão longe e conseguiram. E existem dois tipos de pessoas que poderiam chegar aqui. 1. Mais velhos, habituados com leituras mais profundas oriundas de um método de edução centrado em conteúdo e entendimento (mímese sintática, resumo, questionário), ou 2. Você é um jovem raro.

A comunicação feita por pequenas notas vagas cria um volume imenso de Micro-informações que não são gerenciadas pelo cérebro, e não permitem que você compreenda a fundo nenhuma destas informações. Existe ainda um problema mais grave, que é o vício que seu cérebro terá no recebimento de informações curtas e rápidas, causando o que se conhece por Preguiça intelectual, ao encarar um artigo/livro mais longo que necessite de atenção direcionada por mais tempo.

A mente viciada se torna incapaz de prolongar pensamentos, de discernir idéias ou se aprofundar em um objetivo mental por bastante tempo, transformando grandes parcelas da população mundial em analfabetos-funcionais.
Existe um terceiro fator de risco no estilo de comunicação atual. O tempo roubado procurando informações desnecessárias, não dá ao cérebro tempo hábil para processar estas informações, e a mensagem se transformar efetivamente em conhecimento, entendimento. Não há tempo para a revisão de um assunto, que dado a métodos pessoais de discernimento, revê algo aprendido e categoriza a fim de se encaixar na mente e virar conhecimento.

SmartPhones por exemplo, são grandes vilões também, são imãs da atenção e ao passo de serem úteis como centros de pesquisa pessoal e acesso a infinitos meios e ferramentas, podem submergir uma pessoa em funcionalidades pouco úteis à saúde intelectual e auxiliar na perda da capacidade pontual de pensamento.

Então, ver toda essa euforia acerca dos tempos modernos e modernidades, e a rapidez inveterada da comunicação não causa mais tanta alegria, porque essa onda está levando o intelecto de milhões de pessoas embora, tão rápido quanto chegou.


É ver pessoas assistindo matérias jornalísticas em emissoras que buscam no interior de um município completamente distante e ermo, o caso de um assassinato e passam no país inteiro, assim como emissoras colocam notícias das grandes capitais a pessoas de vida simples de cantos remotos, trazendo consigo o pensamento de excesso de violência que os velhos tanto gostam de repetir.

Não, o mundo não está mais violento. Passamos pelo big-ben, tivemos que caçar, passampos pelo Egito, Grécia e suas guerras, passamos pela inquisição por duas grandes guerras mundiais. Acontece que quando uma pessoa morre atropelada em qualquer canto do mundo, temos vídeos no youtube sobre isso, inúmeros blogs repostando este acontecimento e não bastasse, tudo de novo na seção “O que bombou na Net” nos canais no fim de semana. Essas realidades, se tornam nossas realidades. Os problemas são transferidos, e há uma deformação no reconhecimento do real, do necessário, quase irreparável.

A informação tem tornado a experiência humana completamente fútil. Veja pelo vocabulário das pessoas nas ruas, da falta de profundidade nas palavras ditas, no mundo de replicancias cegas de crenças não comprovadas e passadas gratuitamente.

Na contramão, Ebooks são um esforço válido para tentar incluir a cultura da leitura de livros nesta geração, mas possuir 550 livros baixados da internet, não pressupõe ler todos, nem tampouco compreender e extrair deles uma síntese favorável.


A internet é inútil? Falo disso no próximo post.



Então, desligue o celular. As saídas de emergência se encontram nas laterais, com portas Anti-Pânico.

Contra Mtodo. 2010
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