90% das pessas não irão ler este artigo inteiro.



Encontram-se fácil na boca do povo, afirmações otimistas sobre a era da informação, da comunicação e da internet, e não é difícil ver pessoas de mais avançada idade repetindo o jargão “Agora é tudo mais fácil”.

É um movimento comum ainda impulsionado pela grande excitação mundial das infinitas possibilidades abertas pela “Hyper Conectividade”, que troxe a muitas nações a possibilidade de trocar informações de forma excessivamente rápida e bla.
É um movimento que perdura já fazem 15 anos da real aplicação de um computador no cotidiano de um ser humano, e tudo indica que não para por aí. Isso vai muito mais longe.

São crenças sobretudo compostas e impulsionadas por pessoas, hoje em dia, já de certa idade (entre 30 e 50 anos), em sua grande maioria sendo estudiosos das ciências sociais e políticas, pertencentes - segundo eles próprios - a uma geração sem denominação técnica. Eles estão focados na geração Y, que veio depois deles, dos nascidos a partir de 1980, que tiveram um intenso contato com o processo de internacionalização cultural ocorrida no mundo inteiro, e da mais nova e ainda virgem - de estudos! - aclamada geração Z, aos nascidos nos anos 2000.
E embora começar pela última letra do alfabeto pareça promissor no sentido de determinar o fim das “gerações-Letra”, a moda pegou entre os sociolólogos de tal forma que o mapeamento das características de cada geração se estende do método tecnológico empregado na época aos costumes alimentares dos jovens, religão, e velocidade e prática de raciocíneo.

Os velhos por sua vez, não estão assim tão errados na réplica da Meme “Agora é tudo mais fácil”. Há bastante de verdade nisto, mas talvez não no ponto em que eles queriam chegar com esta frase. “Está tudo mais rápido”, pressupõe que não apenas os meios de comunicação e tecnologias que usamos estão rápidas, mas o mais importante, as pessoas também estão.

Agora é ínfimo, rápido e desvalorado.

O pensamento mais rápido traz consigo a lógica de que a atenção também ficou mais rápida e a mensagem, a consciência, esmero pelo entendimento, e o tempo também ficaram mais rápidos. E têm que ser, afinal, não fosse assim, estaremos deixados para trás dessa manada correndo desenfreada.
Comentar sobre a velocidade em que o tempo está passando sempre foi de costume do ser humano, e inclusive, é uma das coisas que mais incomoda por não termos até hoje perspectivas de poder criar uma forma de controlar o tempo. A única coisa que os humanos ainda não dominam, e não entendem.
Se tempo = Existência. E agora, José?

Mas a noção de aceleração do entendimento sobre o tempo das coisas que acontecem ao nosso redor é popular, e não demora muito você cruzará com uma pessoa mais velha comentando sobre isso, de igual modo ao que jovens já aprenderam a falar. Inclusive, tente pensar no que aconteceu no último ano de sua vida, e perceberá que este foi mais rápido que o anterior e assim por diante, até sua infância, onde um dia durava três.

A informação está correndo sem direção e vindo de todos os lados a ponto de já a termos no patamar de “O Mal do Século XXI” por vários motivos. A abertura de mídias a notícias em tempo real de qualquer parte do mundo, cria nas pessoas a sensação de participação de eventos ocorrentes em locais muito distantes, para bem ou para mal, introduzindo à sua realidade coisas que poderiam passar completamente desconhecidas por sua vida, e não a alterariam em nada, senão em uma melhor saúde mental.



São atualmente 231,5 milhões de sites no mundo, com uma prospecção de que quase 2 bilhões de pessoas em todo o mundo terão acesso à internet nesta década, fora outros milhões de páginas de conteúdos diversos, hospedados em um destes sites, como tumblr, blogger, etc, acrescido à toda baboseira desnecessitada que vemos na TV, já tendo 7.351.743 domicílios com TV por assinatura só no Brasil, aplicativos de celular, feed de notícias, Jornais impressos, revistas várias, panfletos, manuais de instruções, bulas, rádios, placas de trânsito, documentos infindáveis e aviões escrevendo com fumaça no céu.

Informação é prejudicial?

Você vai notar os efeitos colaterais dessa forma de vida rápida e superficial, quando chegar até esta parte do texto, e saber que só você e outros 10% de todos que chegaram a esta página, foram tão longe e conseguiram. E existem dois tipos de pessoas que poderiam chegar aqui. 1. Mais velhos, habituados com leituras mais profundas oriundas de um método de edução centrado em conteúdo e entendimento (mímese sintática, resumo, questionário), ou 2. Você é um jovem raro.

A comunicação feita por pequenas notas vagas cria um volume imenso de Micro-informações que não são gerenciadas pelo cérebro, e não permitem que você compreenda a fundo nenhuma destas informações. Existe ainda um problema mais grave, que é o vício que seu cérebro terá no recebimento de informações curtas e rápidas, causando o que se conhece por Preguiça intelectual, ao encarar um artigo/livro mais longo que necessite de atenção direcionada por mais tempo.

A mente viciada se torna incapaz de prolongar pensamentos, de discernir idéias ou se aprofundar em um objetivo mental por bastante tempo, transformando grandes parcelas da população mundial em analfabetos-funcionais.
Existe um terceiro fator de risco no estilo de comunicação atual. O tempo roubado procurando informações desnecessárias, não dá ao cérebro tempo hábil para processar estas informações, e a mensagem se transformar efetivamente em conhecimento, entendimento. Não há tempo para a revisão de um assunto, que dado a métodos pessoais de discernimento, revê algo aprendido e categoriza a fim de se encaixar na mente e virar conhecimento.

SmartPhones por exemplo, são grandes vilões também, são imãs da atenção e ao passo de serem úteis como centros de pesquisa pessoal e acesso a infinitos meios e ferramentas, podem submergir uma pessoa em funcionalidades pouco úteis à saúde intelectual e auxiliar na perda da capacidade pontual de pensamento.

Então, ver toda essa euforia acerca dos tempos modernos e modernidades, e a rapidez inveterada da comunicação não causa mais tanta alegria, porque essa onda está levando o intelecto de milhões de pessoas embora, tão rápido quanto chegou.


É ver pessoas assistindo matérias jornalísticas em emissoras que buscam no interior de um município completamente distante e ermo, o caso de um assassinato e passam no país inteiro, assim como emissoras colocam notícias das grandes capitais a pessoas de vida simples de cantos remotos, trazendo consigo o pensamento de excesso de violência que os velhos tanto gostam de repetir.

Não, o mundo não está mais violento. Passamos pelo big-ben, tivemos que caçar, passampos pelo Egito, Grécia e suas guerras, passamos pela inquisição por duas grandes guerras mundiais. Acontece que quando uma pessoa morre atropelada em qualquer canto do mundo, temos vídeos no youtube sobre isso, inúmeros blogs repostando este acontecimento e não bastasse, tudo de novo na seção “O que bombou na Net” nos canais no fim de semana. Essas realidades, se tornam nossas realidades. Os problemas são transferidos, e há uma deformação no reconhecimento do real, do necessário, quase irreparável.

A informação tem tornado a experiência humana completamente fútil. Veja pelo vocabulário das pessoas nas ruas, da falta de profundidade nas palavras ditas, no mundo de replicancias cegas de crenças não comprovadas e passadas gratuitamente.

Na contramão, Ebooks são um esforço válido para tentar incluir a cultura da leitura de livros nesta geração, mas possuir 550 livros baixados da internet, não pressupõe ler todos, nem tampouco compreender e extrair deles uma síntese favorável.


A internet é inútil? Falo disso no próximo post.



Então, desligue o celular. As saídas de emergência se encontram nas laterais, com portas Anti-Pânico.

Contra Mtodo. 2010
Top